domingo, 14 de agosto de 2016

O Xadrez e o que não se vê




“Na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro é imediato; ele se manifesta simultaneamente com a sua causa, é visível. Os outros só aparecem depois, não são visíveis; felizes se conseguirmos prevê-los” Bastiat, 1850

“Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.” (2 Coríntios 4:18)
Quão distante vão as consequências de nossos atos? As relações de causa e efeito se desenvolvem ao longo dos anos de forma complexa, não linear, e as intenções originais tantas vezes se perdem na dinâmica da vida.

No xadrez acontece o mesmo. Lances são feitos com um objetivo visível, porém há efeitos colaterais, coisas difíceis de se ver ou até de se prever, que perduram vários lances à frente. Não raro, o que não se vê acaba sendo decisivo no desfecho das partidas.

Um exemplo interessante aconteceu numa partida de 2010, na qual joguei com as peças brancas e, justamente por um desses efeitos que não se vê, porém que existem e duram muito mais do que se imagina, acabei vencendo de forma bela. Talvez tenha sido minha melhor partida na vida.

Posição após 10 ... a6*.
Na posição acima, meu adversário permitiu a troca de um Cavalo por um Bispo, deixando, após as troca, uma Torre preta numa posição estranha, pouco usual. Não posso afirmar com certeza as intenções do jogador de pretas, mas, certamente, ele julgou não ter maior importância o fato de sua Torre ficar na casa b7. Tampouco posso dizer que tinha planos concretos de explorar a colocação da Torre inimiga naquela casa específica. Ambos estávamos no campo “do que se vê”. Não tardaria, porém, a aparecerem os efeitos daquilo que, então, não se via.

Era meu retorno ao xadrez de torneios após alguns anos parado, e eu estava bastante empolgado, com ¨fome de bola¨ ou de xeques! Treinava diariamente elementos do jogo, principalmente exercícios de tática.

Aquela era a primeira rodada da competição, o adversário era ex-campeão estadual e tinha boa pontuação FIDE, o que me animou a jogar ativamente. Até que chegamos à posição abaixo, com lance das brancas.
Posição após 21. ... Dd8.
Agora, eu já percebia claramente como aproveitar a má colocação da Torre preta. Talvez influenciado pelos exercícios de tática e seus floreios, joguei o segundo melhor lance 22. d6!? (22. De4! teria dado ainda mais vantagem ao lado branco) e, após 22. … Bd6, chegamos à posição na qual, devido à decisão do adversário 12 lances atrás, a branca joga para obter vantagem decisiva na partida.

Posição após 22. ... Bd6.
Desferi 23. De4, ataque duplo contra a pobre Torre em b7 e o ponto crítico h7, só um deles pode ser defendido. As pretas, para prolongar a partida ao máximo, são quase forçadas a defender a Torre e permitir a infiltração da Dama branca nos aposentos do Rei preto. Novamente, um efeito do que se vê foi mais valorizado que o que não se vê! Para o bando preto, a perda imediata da Torre inteira, sem compensação, seria o mesmo que abandonar a partida, enquanto que a infiltração da Dama, ainda que perigosa, não mostrava um mate imediato.

Quantas vezes a vida e o xadrez se parecem? Esta partida ainda guarda outras semelhanças. A vantagem obtida ao explorar a posição da Torre de nada adiantaria se nas jogadas seguintes as melhores decisões não fossem tomadas. Meu adversário não ia entregar fácil aquele ponto, e em pelo menos dois momentos foi preciso jogar com grande precisão e agressividade.

Posição após 26. ... Re7.
Em posições como esta acima, apesar de materialmente as brancas terem a vantagem mínima de um Peão, os mestres dizem que “tem que ter alguma coisa”. Com isso em mente, descobri a jogada mais forte. Sacrifiquei minha Torre para expor o Rei preto: 27. Te6+!. A sequência de lances levou à outra posição crítica, na qual as brancas tem vantagem de Dama e dois Peões contra Torre e Cavalo, mas é preciso jogar o melhor para evitar aborrecimentos e atrasos desnecessários para a vitória.

Posição após 37. ... Rc6.
Apesar da desvantagem material, as pretas não estão mortas. Na verdade, a Torre preta está a ameaçar tanto um xeque-mate como a Dama branca! Foi necessário achar outro belo lance, outro sacrifício, um dos lances mais bonitos que fiz em torneios oficiais: 38. Be4+!. Após 38. … Txe4, segue 39. Da8+ Rb6 (ou qualquer outro lance de Rei) 40. Dxe4 eliminando a última peça preta que ainda criava ameaças às brancas. Sete jogadas depois, a preta inclinou seu Rei, reconhecendo a perda do partida.
Uma vitória no Xadrez é uma das melhores sensações na vida de um enxadrista, principalmente quando se acredita que houve mérito, que jogamos bem. Lembro com carinho do cumprimento sincero feito pelo pai do meu adversário, veterano jogador também ex-campeão estadual, pela qualidade dos meus lances. Foi uma noite especial.

Naquela noite, o que vi foi uma boa vitória, uma partida para guardar. Ignorava que o que não se vê é eterno. Hoje percebo que mais que um amontoado de lances, aquela partida serve muito bem para ensinar uma ou duas coisas a respeito da vida.



* Mais detalhes sobre notação em xadrez aqui.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Uma vaca, um sonho, várias lições




Fatah e Jacqueline (fonte)
Não é comum falar de cinema neste blog, talvez porque o xadrez e a sétima arte poucas vezes dão as mãos, apesar do deleite que causam quando se encontram.

A única vez que me lembro de cruzar os assuntos foi quando expliquei o porquê do nome do blog, que é uma referência a um conhecido filme sobre xadrez.

Desta vez, entretanto, o xadrez ficará um pouco de fora, para dar espaço a um dos melhores filmes que vi na vida: A incrível Jornada de Jacqueline (La Vache, no original em francês).

O filme nos apresenta Fatah Belabes, um simples agricultor que mora num quase pré-histórico vilarejo argelino e que tem uma verdadeira paixão por uma vaca, chamada carinhosamente de Jacqueline. Fatah é ridicularizado em seu vilarejo pela dedicação ao seu animal, mas isso em nada diminui a vontade de realizar seu grande sonho: levar sua vaca para ao salão da agricultura em Paris!

Como prêmio por sua insistência ferrenha por anos a fio, o salão de agricultura, enfim, concede um convite especial para que Jacqueline concorra na categoria Gado Taurino. Só tem um problema: os custos da viagem seriam por conta dele. Começa aí uma divertida e sofrida viagem do camponês e seu animal, partindo do vilarejo africano até a capital francesa com o plano de fazer a maior parte do percurso a pé!

Em sua jornada, Fatah conhece diversas pessoas que oferecem ajuda, tocadas pela simplicidade dele e pela dimensão do seu sonho, ao mesmo tempo tão simplório na finalidade e tão ousado na execução. Aos poucos, porém, percebe-se que é Fatah que lhes entrega muito mais, tal qual um Midas esfarrapado e alegre.

O bom humor constante do filme certamente nos previne das lágrimas, e nos lembra que não é preciso ser vazio ou superficial para ser engraçado, como podem pensar comediantes inferiores. Os grandes palhaços sempre escondem a lágrima com o riso, enquanto, sob a aparência trivial tratam de temas importantes e sérios.

O filme nos lembra de diversos valores universais que são vitais em nossa vida: a sinceridade, a bondade, a humildade, a persistência, o valor do perdão, o poder avassalador dos sonhos e como vale a pena lançar-se a eles.

Fatah e Jacqueline nos recordam o simples peão que sonha em chegar aos confins do tabuleiro e ser coroado. Ao dar os corajosos passos à frente, sem garantia nenhuma que conseguirão, é que esses peões movem o jogo, e é assim que nós, os homens, movemos o mundo.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Fui natalense: 10 anos em ritmo de Xadrez




Visão geral da cidade de Natal - RN (fonte)
Muitas vezes, numa partida, posicionamos nossas peças na melhor casa, fica uma maravilha! A gente para de se preocupar com ela, pois ali exerce seu máximo poder de ação, domina espaço importante para o ataque, inibe o avanço de forças inimigas.

Porém, para arrematar a partida, ou para defender um contra-ataque repentino, é comum ser necessário remover a peça da casa ideal, e a teima ressentida pode causar até mesmo a derrota.

Ao avançar no Xadrez da vida, precisei deixar a cidade onde nasci, qual peão que avança da casa inicial para jamais retornar. Quis a dinâmica dos acontecimentos que fosse parar na cidade de Natal no ano de 2006, e lá permaneci pelos últimos dez anos.

Com o tempo, fui criando identidade com a nova cidade e lá completei importantes lances do meu desenvolvimento pessoal: primeiro emprego, primeira casa, casamento e filhos. Em especial, retomei a prática enxadrística séria, que havia interrompido havia pelo menos outros dez anos.

Se o jogo de Xadrez tem sido tantas vezes utilizado como metáfora da vida, não me parece estranho descrever esses meus anos como lances de uma grande partida contra o acaso (ou ajudado por ele).

O Xadrez tem três fases, Abertura, Meio-jogo e Final. Quantas terá a vida?

Nos primeiros anos, vivemos a fase da Abertura, com um desenlace ligeiro, seguindo movimentos mais ou menos conhecidos e comuns: engatinhar, andar, frequentar a escola, se formar. Frequentemente, não faz mal se perdemos um ou dois anos em experimentos menos convencionais, algo como um gambito de dias.

Então, já adultos, nos sentimos prontos, com vigor, cheios de habilidades afiadas. Se admitirmos que este rol de qualidades pode se comparar com a presença da Dama no tabuleiro, sem dúvida estamos falando do Meio-jogo. Aqui, os planos estratégicos amiúde miram longe uma vida tranquila e abastada no final, mas é preciso estar atento para não esquecer nenhum detalhe tático: uma oportunidade, uma conta a se pagar, uma data de aniversário!

As peças vão sumindo, trocamos entusiasmo e habilidades, por outras vantagens como sabedoria, experiência. Fortalecemos nossa personalidade com o passar dos anos e fatalmente chegaremos à fase Final, da partida, dos dias, do tempo. O que nos trarão os frutos de nossas escolhas, nossas jogadas? Muitas vezes, basta um peãozinho de vantagem que chega livre à borda adversária.

Foram dez anos em Natal, uma cidade onde entendi muito mais sobre o meu Xadrez e sobre as nuances da existência. Acabo de me retirar duma posição que pensava ser ideal; a tática se impôs, foi preciso jogar conforme. Ainda é pleno meio-jogo, o final é ainda distante, mas algumas peças já se foram, a cadeia de peões, as linhas gerais de ação e possibilidades mais óbvias já estão traçadas.

Este autor pondera sua próxima jogada.
Campeonato Estadual, Natal-RN, 2010 - 1ª rodada.
É hora de seguir o conselho de Neruda e sentar com paciência, não para buscar a luz caída no poço, mas para rever os planos, avaliar a Posição com carinho, escolher o próximo movimento.

Vejo daqui variantes diversas e já não preciso enxergar tantas jogadas à frente. Uma nova casa ideal está somente a uma ideia de distância.

domingo, 3 de julho de 2016

O Xadrez e a dissonância cognitiva




Passamos por um momento difícil no Brasil. Existem grupos com ideologias díspares e que exageram suas diferenças de forma a incitar uma divisão na população, o tal do ‘nós x eles’. Cada lado feliz em conferir ao outro o título de ‘Idiota’, com I maiúsculo mesmo.

Pensava nisso após escutar o episódio Dissonância Cognitiva, do podcast Café Brasil, de autoria do escritor Luciano Pires. Neste episódio ele nos fala, dentre outros pontos, da importância de se manter atento e não correr o risco de ficar petrificado numa posição ao evitar, até mesmo, ler autores ou se permitir escutar opiniões divergentes da sua própria.

O Xadrez é um campo de atuação humana onde a convivência com a dissonância cognitiva faz parte da rotina.

O enxadrista não pode bater o pé e dizer: agora só jogo com as brancas, ou só com as negras. Ele pode até fazer birra e nunca jogar nenhuma abertura do Peão do Rei, ou nunca usar a Defesa Siciliana, mas essa atitude jamais fará dele um grande mestre, sequer um mero candidato a mestre.

Por que não? Estranharão alguns. Porque na riqueza e diversidade de posições possíveis, na experiência em combater cada uma delas, ora de brancas, ora de negras, ora atacando, ora defendendo, é que o enxadrista tem a oportunidade de criar sua própria cultura sobre o jogo. É isso que lhe permite aguçar seu estilo ao buscar nos elementos diversos do jogo aqueles que mais se adaptam ao seu temperamento.

Se observamos esta característica do Xadrez, que é a mesma da vida, quando gira o tabuleiro, troca-se de lado, muda-se a perspectiva, é preciso jogar com as peças que pouco antes eram nossas adversárias, defender posições nas quais há instantes liderávamos um ataque. O Xadrez é a luta para provar a cada lance que o idiota é o outro, apenas para, na outra partida, mudar de lado, e quiçá admitir que o idiota é você mesmo.

Há casos famosos de jogadores que deliberadamente não usam determinadas linhas de abertura de partida por questões, digamos, ideológicas. Um caso interessante era o recentemente falecido GM Viktor Korchnoi.

Korchnoi teve uma vida difícil, órfão na União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, depois dissidente do regime e desertor soviético. Em sua trajetória acumulou algumas inimizades famosas no ciclo enxadrístico, uma das mais notórias foi com o GM e ex-campeão do mundo Tigran Petrosian.

Petrosian, Korchnoi e Vasyukov (1961) - só o Xadrez os unia
O cisma entre eles merece uma postagem exclusiva, mas o que faz a ligação com o assunto em questão é que Korchnoi jamais jogava lances teóricos introduzidos na prática magistral por Petrosian. Lembro duma ocasião em que li uma partida comentada por Korchnoi que, de negras, enfrentava o então promissor GM espanhol Pablo San Segundo. Era uma Defesa Índia da Dama (DID) e, na quarta jogada, a branca escolheu seguir com 4. a3: “Este lance introduz o Sistema Petrosian da DID. Eu jamais joguei esta posição de brancas, pois seu propositor foi um inimigo de minha vida”.

Acredito que, tecnicamente, o grande Korchnoi percebia ao valor da contribuição teórica de seu antagônico confrade, porém, por uma forte razão pessoal, conscientemente boicotava o rival. A raiva era tanta que o pobre San Segundo (25 anos de idade na época) transformou-se, momentaneamente, no antigo desafeto de Korchnoi (então com 64 anos de idade) e foi exemplarmente punido no tabuleiro.

Apesar de sua carreira tremendamente vitoriosa, talvez por esse tipo de licença técnica é que Korchnoi jamais tenha sido Campeão do Mundo.

Há de se ter cuidado com a dissonância cognitiva. A armadilha de simplesmente negar o lado dissonante pode nos tornar o ‘Idiota’ da história, e quem sabe até seja o que nos atrapalhe a enxergar e chegar mais longe.

domingo, 19 de junho de 2016

Quando éramos reis: o princípio do fim da hegemonia humana no Xadrez




Computador de Xadrez Belle (ChessGames.com)
Algumas vezes, temos a fortuita junção de tempo e disposição para rever velhos livros ou revistas de xadrez. Tenho aqui uma antiga edição de New in Chess de 1992, com uma rica reportagem sobre o Torneio Internacional Ciudad de Linares daquele ano.

O certame foi jogado pouco antes da fase semifinal do Torneio de Candidatos e contava com a presença dos quatro semifinalistas (Karpov, Short, Yusupov e Timman) além do magnífico campeão do mundo à época, Garry Kasparov. O ano de 1992 foi marcante para a história do Xadrez, pois, pela primeira vez, Karpov não foi finalista da competição de Candidatos e, assim, perdeu a chance de desafiar novamente Kasparov pela coroa mundial.

Folheando a extensa reportagem, chamou-me a atenção uma partida analisada pelo GM Jan Timman, na qual ele venceu o GM inglês Jon Speelman. A princípio, fiquei interessado pela abertura, um Gambito da Dama recusado que acabou na Estrutura de Peões de Carlsbard e uma clássica luta de ataque das minorias vs. contra-ataque na ala do Rei.

A partida é muito interessante. As negras certamente perderam oportunidades táticas de finalizar seu oponente e acabaram por cair num final inferior: branca com par de bispos e rei, contra rei e cavalo das negras.

Na época, ainda se interrompiam as partidas após cinco horas de jogo e só a retomavam no dia seguinte. Timman menciona em seus comentários que lembrou que o computador enxadrista chamado Belle (construído por Ken Thompson, o mesmo criador do sistema operacional UNIX)  havia provado em 1983 (!) que esse tipo de final era sempre ganho para o bando mais forte, uma informação que seu adversário também conhecia. Ele, então, recorreu a análises sobre o final fornecidas via FAX (!) por um colaborador, enquanto Speelman não conseguiu obter o mesmo material. Timman afirma que conhecer o teor das análises ajudou bastante para obter a vitória (mas nega que tenha vencido com a ajuda do computador). Apesar da revisão, Timman ainda admite ter cometido imprecisões que, houvesse Speelman jogado melhor, poderia ter sido impossível vencer dentro do limite de 75 lances (na época) antes de ser declarado empate.

Proposição original de Kling & Horwitz (Chess Studies, 1851)
O final de dois bispos contra cavalo foi estudado por dois mestres do século XIX, Kling e Horwitz, que haviam demonstrado em 1851 que o bando mais fraco alcançava empate através da construção de uma “fortaleza” posicionando o cavalo em uma das casas b2, b7, g2 ou g7.  A descoberta de Belle, no entanto, era que, a partir da posição mostrada acima, havia um método destruir esta fortaleza, e portanto o bando forte venceria sempre.

O xadrez é tão rico que mesmo um dos maiores jogadores do Mundo, em seu auge, reconhece nos comentários da partida que há muitas posições que são um completo mistério, mesmo para Grandes Mestres: “[…] qual jogador de Xadrez entende esse tipo de final?”.

Os cérebros eletrônicos já começavam a ensinar os mestres humanos e a corrigir antigos conceitos e verdades do nosso jogo tidas como absolutas ao longo dos séculos.

Por causa dos computadores, desde 1996 não se pratica mais o adiamento de partidas. Em 1997, Kasparov inclinava seu rei contra Deep Blue (um sucessor direto de Belle), a primeira derrota em match do 'Ogro de Baku'. Hoje, reinam absolutos os cérebros de silício, que se tornaram professores dos Grandes Mestres, o que tem tornado o xadrez humano muito mais profundo que antigamente.